segunda-feira, maio 10, 2010

Ser o que sou, ou apenas o que compro.

http://www.youtube.com/watch?v=YzZZHsoTDck

Essa propaganda gerou algumas discuções em sala de aula com professores meus, e já explico o por que.
Não é novidade que a publicidade utiliza-se de elementos simbólicos em suas propagandas, aliás, é nisso que ela costuma ser boa, e é por isso que ela tem tanta força. O grande problema, com isso, é o foco que costuma ser dado a este elemento apelativo, porque o que ela faz é apelar a um simbolo que nos remete a muita coisa, além da compreensão aparente.
Este é o caso da recente propaganda da Brahma, onde se utiliza de um arquétipo bem conhecido e popularizado, o guerreiro, para se fazer válida o vídeo publicitário em si. Por um instante, o elemento guerreiro nos é despertado, e com isso fica muito mais fácio criar empatia com a proposta lançada. Mas poucos se dão conta disso, e garantem uma não-racionalização da publicidade, garantindo o sucesso na maior parte dos casos.
Enfim, vamos a o que nos interessa. Esta propaganda, do carro marca Ford e modelo Fusion, garante uma ideia bem comum aos brasileiros que devem ser o publico-alvo desse comercial. Aquele desejo de sonho realizado, conquista, ganho, benefício, trabalho valorizado, etc etc. junto à um clima descontraido de um almoço casual no meio de uma semana de trabalho corrido, então eles se projetam: daqui a cinco anos, vamos estar onde? No mínimo deveriamos refletir com essa pergunta, mas, é claro, não temos tempo. Então, vem a chibatada. É claro, vamos estar andando em um Ford Fusion, para assim merecermos todos esses arduos dia e noites de trabalho.
Agora me pergundo, inclusive foi a mesma para meu professor: Não é um tapa na minha cara pensar que eu redusiria meus próximos cinco anos da minha vida à conquistar um carro luxuoso da Ford? Eu me limito a apenas isso, nos meus cinco anos seguintes?
Agora tente levar essa ideias existencialista para todas as propagandas que você assiste. Então perceberá o caos que cerca o mundo publicitário.
E continuamos vendendo, e continuamos comprando. E pela compra aprendemos a "ser", e pela venda aprendemos a "ter".

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