sexta-feira, maio 21, 2010

Cultura de massa e o resultado

Agora me pego perguntando: A popularização da cultura é sadia para nós? Um pensamento claramente aristocrata, mas bem sincero. Pensemos então, como a cultura de massa nos afronta sutil e insistentemente impondo-nos gostos e tendências. É quase que uma guerra contra a alma humana, como se nos roubassem nosso caráter e agora determinassem quando vamos comer e o que vamos amar. E essa popularização não é nada compreensível, nada conveniente, e extremamente discriminatória em nível social. É só prestarmos atenção em o que fazem com os aidéticos, negros, gordos, velhos, todos e muitos outros são mal vindos a este mundo de perfeitos.
Indústria cultural. Um termo bastante confuso agora, depois que li um capítulo de um livro de Umberto Eco, Apocalípticos e Integrados. Inclusive o título é curioso. Pude refletir quão desprovido de “cultura pura” posso ser, pois compreendi que boa parte, se não toda, de meu conhecimento intelectual se baseia em torno de uma cultura de massa. Ou seja, estou claramente determinado por padrões culturais, desde a identificação da beleza até questionamentos sobre a vida. Torno-me uma pequena máquina no meio da multidão robótica, um verdadeiro fantoche junto à indústria de capital.
Agora duvido do meu gosto musical, do meu gosto por esportes, da minha definição de beleza, agora duvido até da minha índole. Sou um fantoche em dinamismo por algo “maior”.
Porém nessa aparente estrema escuridão ainda tenho vontade de questionar, algo tipo contracultura de massa. Venho até meu computador e escrevo isto para mim mesmo, para não esquecer-me de ser de verdade.
Questões que devem ser levadas em conta são os meios e intenções desses meios de comunicação. Agora critico qual o meio de comunicação devo focar? A televisão e o rádio estão óbvios que não, eles produzem tudo claramente visando obtenção de lucros, quase que sem propósitos maiores. O folhetim de um jornal, quase em desuso, sem tiragem, ainda assim é o pioneiro da popularização da cultura. Internet? Ainda tenho medo de o que ela pode fazer.

segunda-feira, maio 17, 2010

Os valores que a mídia nos ensina

Estava eu prestes a me sentar para assistir TV, coisa que sou quase que fascinado, quando presto atenção por um minuto no programa da angélica, o vídeo game que vem logo depois do vídeo show, e fico em choque com o que ela me diz: "Amanhã será um dia muito importante para o Brasil, (...)".
Frente a uma disputa "secular" entre PT-PSDB, onde apenas ofensa e troca de acusações estão verdadeiramente em pauta, onde as propostas de governança em prol das classes menos favorecidas são na realidade monstros assistencialistas travestidos com a imagética de uma mesa mais farta; este é o Brasil.
Onde ha violência crescente, a educação decrescente, a saúde precária, e a previdência quebrada, tudo o que aparentemente estamos preocupados é se “os estádio ficarão prontos ou não até a copa 2014?”. Isso acontece porque é o Brasil, o país do futebol.
Agora vamos imaginar o que se passa na cabeça de um presidente que oferece dinheiro a um país que nem possuí ligações diplomáticas estreitas, enquanto em casa ainda tem gente que é analfabeta, gente que morre de fome, gente que morre de tuberculose. Mas o Brasil deve ser solidário, pois somos assim.
Como elegemos e reelegemos gente que condiz com essa ignorância? Como que responsabilizamos o estupro e a morte de quase vinte pessoas à apenas um “maníaco”? A resposta está em todos os nossos dias, em todas as horas, em todos minutos, talvez em todos os segundos; a resposta está no jornal que lemos, e no que não lemos; está na televisão que nos diz: "(...) pois é a estréia da novela 'Passion'".

segunda-feira, maio 10, 2010

Ser o que sou, ou apenas o que compro.

http://www.youtube.com/watch?v=YzZZHsoTDck

Essa propaganda gerou algumas discuções em sala de aula com professores meus, e já explico o por que.
Não é novidade que a publicidade utiliza-se de elementos simbólicos em suas propagandas, aliás, é nisso que ela costuma ser boa, e é por isso que ela tem tanta força. O grande problema, com isso, é o foco que costuma ser dado a este elemento apelativo, porque o que ela faz é apelar a um simbolo que nos remete a muita coisa, além da compreensão aparente.
Este é o caso da recente propaganda da Brahma, onde se utiliza de um arquétipo bem conhecido e popularizado, o guerreiro, para se fazer válida o vídeo publicitário em si. Por um instante, o elemento guerreiro nos é despertado, e com isso fica muito mais fácio criar empatia com a proposta lançada. Mas poucos se dão conta disso, e garantem uma não-racionalização da publicidade, garantindo o sucesso na maior parte dos casos.
Enfim, vamos a o que nos interessa. Esta propaganda, do carro marca Ford e modelo Fusion, garante uma ideia bem comum aos brasileiros que devem ser o publico-alvo desse comercial. Aquele desejo de sonho realizado, conquista, ganho, benefício, trabalho valorizado, etc etc. junto à um clima descontraido de um almoço casual no meio de uma semana de trabalho corrido, então eles se projetam: daqui a cinco anos, vamos estar onde? No mínimo deveriamos refletir com essa pergunta, mas, é claro, não temos tempo. Então, vem a chibatada. É claro, vamos estar andando em um Ford Fusion, para assim merecermos todos esses arduos dia e noites de trabalho.
Agora me pergundo, inclusive foi a mesma para meu professor: Não é um tapa na minha cara pensar que eu redusiria meus próximos cinco anos da minha vida à conquistar um carro luxuoso da Ford? Eu me limito a apenas isso, nos meus cinco anos seguintes?
Agora tente levar essa ideias existencialista para todas as propagandas que você assiste. Então perceberá o caos que cerca o mundo publicitário.
E continuamos vendendo, e continuamos comprando. E pela compra aprendemos a "ser", e pela venda aprendemos a "ter".

segunda-feira, maio 03, 2010

Tudo tem um início

Eu li, faz pouco tempo, um livro intrigante, tanto em seu conteúdo como a reação que tive depois de lê-lo.
"A publicidade é um cadáver que nos sorri" é o nome deste livro. Escrito por Oliviero Toscani. Onde ele escreve um pouco do que acha, na época, da publicidade em si. E incrivelmente me identifiquei com seus atos e relatos.
Em sumo, ele traz uma crítica à maneira de fundamentar uma peça publicitária, e aos modos que costumam ser empregados na mídia. Mas ele faz tudo isso de uma maneira única, exclusiva, e, para poucos que o entendem, criativa.
Toscani demonstra suas experiências publicitárias quando era fotógrafo e diretor artístico da polêmica marca de roupa e acessórios Benetton. Mas essa descrição como "polêmica" se deve, em sumo, pela abordagem que o fotógrafo utilizou em suas campanhas, sempre utilizando polêmicas do cotidiano em temas como: a AIDS, o racismo, o celibato, a amizade, a guerra, mas sempre envolvendo uma aura de desconforto em suas peças, polemizando ainda mais seu trabalho.
E vejo como fonte de inspiração seu trabalho. E vejo, com isso, como somos diariamente rodeados de ensinamentos desnecessários, vindo de quem nós menos poderíamos desconfiar.
Vejo a mesmice impregnada em "burocratas" desorganizados e "criadores" sem criatividade. Vejo que tanto eu quanto todos estamos repetindo uma maneira estúpida de viver, e aprender erroneamente. Vejo louvarem a ciência enquanto abominam o sacro, continuando a serem monoteístas. Vejo que assisto a tudo isso e não faço nada. Vejo-me envergonhado.